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O Mundo de Ludovico tem estripulias circenses

 

“É uma aventura maluco-musical”, afirma Paulo Rogério, diretor e autor do texto

Antonio Gaspar – especial para Panis & Circus* 

“O Mundo de Ludovico”, com texto e direção de Paulo Rogério Lopes, conta para crianças a história do compositor Ludwig van Beethoven, o Ludovico.

Valendo-se da arte circense, representada por 19 alunos da escola Galpão do Circo, de elementos do teatro e da música, o diretor apresenta um espetáculo recheado de magia e humor para mostrar a trajetória de Ludovico da infância até a fase adulta.

De acordo com Alex Marinho, do Galpão do Circo, a apresentação dos alunos na Sala São Paulo passou faz parte da grade curricular do curso Aprendiz de Circo. “É divertido participar dos espetáculos”, afirma. A história é contada em meio a bolinhas de sabão, pernas de pau, malabares e bicho gigante. O diretor do Galpão destaca que a parceria com Paulo Rogério vem de longa data, o que facilita o trabalho. “É ele quem escreve os roteiros dos espetáculos de fim de ano do Galpão”, explica.

 

 

O espetáculo musical, da série Aprendiz de Maestro, da Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer (Tucca), foi apresentada em 26 de setembro, na Sala São Paulo, um dos ambientes mais bonitos de espetáculo da capital paulista. “O Mundo de Ludovico” é definido por Paulo Rogério como “uma aventura maluco-musical”.    

 

Ludovico tentando pegar as partituras das mãos dos aprendizes / Foto Asa Campos

 

 

Infância difícil 

Beethoven, quer dizer Ludovico, interpretado por Luciano Chirolli, teve uma infância triste. Sem tempo para brincadeiras, com poucos anos já era treinado pelo seu pai que queria que ele fosse famoso como o menino “Mozart”. Para ilustrar essa fase da vida do menino, os integrantes do Galpão do Circo jogam bola, pulam corda, fazem brincadeiras, enquanto ele é submetido a aulas de violino e piano.

 

Ludovico sentado no chão - os integrantes estão atrás / Foto Asa Campos

 

Em dado momento, Beethoven adulto entra em um túnel do tempo, formado por um cone vermelho, como em um número típico circense de “quick change”, e sai de lá o menino Ludovico. Para mostrar a transformação de adulto para criança, ele entra no túnel com uma roupa escura e sai com uma roupa clara e um boné na cabeça.  

 

O maestro João Maurício e Ludovico em cena de "O Mundo de Ludovico"/ Foto Asa Campos

 

O maestro João Maurício Galindo explica que Beethoven, na Alemanha, significava “canteiro das beterrabas”. Ao dizer Ludovico Beterraba, em lugar de Ludwig van Beethoven, leva a plateia aos risos. O maestro acrescenta que o menino gostava do avô, que também se chamava Ludwig Beethoven.

Para todo lado que ia, Ludovico levava o retrato dele emoldurado e, se dirigindo ao quadro do avô, dizia: “Eu lembro muito bem quando eu era menino. Na verdade, eu tinha medo mesmo era do meu pai, mas do que de tudo, depois que foi completamente enfeitiçado.”

O maestro explica que Ludovico, com 8 anos, achava que o seu pai tinha bebido uma poção envenenada que o tinha “deixado bêbado também de ganância”. Entra em cena, o pai de Ludovico, papel de Luciana Ramanzini, e diz em alto e bom som: “Os beterrabas precisam de sucesso. Vou agendar um concerto para você.” Ao que Ludovico responde: “Mas, pai, eu sou apenas uma criança.” E o pai replica: “Com quantos anos você acha que o espertalhão do Mozart  tocou? Com sete anos.”

 

Ludovico com a foto de seu avô / Foto Asa Campos

 

O pai de Beethoven, Johann van Beethoven, era músico, e seu avô, regente da Capela Arquiepiscopal na corte na cidade de Colônia.  

Alcoólatra, seu pai estava constantemente desempregado. Beethoven muito cedo passou a cuidar da família. Aos 17 anos perdeu a mãe.

 

Musa Oficial 

Ludovico e sua Musa Oficial / Foto Asa Campos

Em Viena, para onde se mudou e foi estudar, entrou em contato com os ideais da Revolução Francesa e com o movimento literário romântico “Tempestade e Ímpeto/Paixão”, do qual faziam parte Friedrich Schiller e Goethe.

Aos 26 anos viveu um período de grande sofrimento com o diagnóstico médico de que sofria de congestão dos centros auditivos, o que o deixou praticamente surdo. Seu humor mudou. Foi uma fase triste. 

Nesse período, na adaptação da Tucca, surge a fada-madrinha e musa inspiradora Elise, interpretada por Luciana Ramanzini. Ela se desdobra para fazer com que o artista, que tinha fama de mal-humorado por causa da surdez, libere a magia musical retida na sua cabeça.

 

Ludovico, a musa e o Coro CT Singers / Foto Asa Campos

 

Por isso, ela tem de entrar na cabeça do próprio Beethoven para que o grande artista consiga terminar a composição da sua 9ª sinfonia – que revolucionou o mundo da música. Nessa tarefa de musa oficial, Elise vai em busca da alegria para Ludovico e convoca a turma do Galpão, com suas estripulias, acompanhadas do som da Sinfonieta Tucca Fortíssima e do Coro CT Singers – sob a regência do me João Maurício Galindo. 

 

Os aprendizes com seus guardas-chuva coloridos na Sala São Paulo / Foto Asa Campos

 

Na verdade, a Sinfonia n.º 9 em Ré Menor, Op. 125, considerada a obra-prima de Beethoven, foi terminada entre 1822 e 1824. Foi a primeira peça a receber um coral em um movimento. Beethoven fez a adaptação do poema Ode à Alegria, do amigo Schiller (abaixo).

“Alegria bebem todos os seres
Todos os bons, todos os maus, 
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até à morte;
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim que se ergue diante de Deus!”
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Ludovico com os pés em cima da partitura / Foto Asa Campos

 

Beethoven morreu em Viena, na Áustria, em 26 de março de 1827, aos 56 anos, mas Ludovico continua mais presente do que nunca no imaginário dos jovens expectadores. “O resumo de sua obra é a liberdade. A liberdade política, a liberdade artística do indivíduo, sua liberdade de escolha, de credo, e a liberdade individual em todos os aspectos da vida”, define o crítico Paul Bekker sobre o trabalho do artista. 

* Colaborou Bell Bacampos  

 

Ficha técnica:

“O Mundo de Ludovico” com maestro João Maurício Galindo, Luciano Chirolli, Luciana Ramanzini e Sinfonietta Tucca Fortíssima. Participações especiais: Galpão do Circo e Coro TS Singer. Texto e direção artística: Paulo Rogério Lopes. Direção musical e regência: maestro João Maurício Galindo. Direção geral e produção: Ângela Doria.  

 

 Postagem – Alyne Albuquerque

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